quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Cruz e Souza: Arte

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/35/Cruz_e_Sousa.jpg

Arte



Como eu vibro este verso, esgrimo e torço,

Tu, Artista sereno, esgrime e torce;


Emprega apenas um pequeno esforço


Mas sem que a Estrofe a pura ideia force.




Para que surja claramente o verso,


Livre organismo que palpita e vibra,


É mister um sistema altivo e terso


De nervos, sangue e músculos, e fibra.




Que o verso parta e gire -- como a flecha


Que d’alto do ar, aves, além, derruba;


E como os leões, ruja feroz na brecha


Da Estrofe, alvoroçando a cauda e a juba.




Para que tenhas toda a envergadura


De asa e o teu verso, de ampla cimitarra


Turca, apresente a lâmina segura,


Poeta, é mister, como os leões, ter garra.




Essa bravura atlética e leonina


Só podem ter artistas deslumbrado:


Que souberam sorver pela retina


A luz eterna dos glorificados.




Busca palavras límpidas e castas,


Novas e raras, de clarões radiosos,


Dentre as ondas mais pródigas, mais vastas


Dos sentimentos mais maravilhosos.




Busca também palavras velhas, busca,


Limpa-as, dá-lhes o brilho necessário


E então verás que cada qual corusca


Com dobrado fulgor extraordinário.nódoa




Que as frases velhas são como as espadas


Cheias de nódoa, de ferrugem, velhas


Mas que assim mesmo estando enferrujadas


Tu, grande Artista, as brunes e as espelhas.




Faz dos teus pensamentos argonautas


Rasgando as largas amplidões marinhas,


Soprando, à lua, peregrinas flautas,


Louros pagãos sob o dossel das vinhas.




Assim, pois, saberás tudo o que sabe


Quem anda por alturas mais serenas


E aprenderás então como é que cabe


A Natureza numa estrofe apenas.




Assim terás o culto pela Forma,


Culto que prende os belos gregos da Arte


E levará no teu ginete, a norma


Dessa transformação, por toda a parse.




Enche de estranhas vibrações sonoras


A tua Estrofe, majestosamente...


Põe nela todo o incêndio das auroras


Para torná-la emocional e ardente.




Derrama luz e cânticos e poemas


No verso e torna-o musical e doce


Como se o coração, nessas supremas


Estrofes, puro e diluído fosse.




Que as águias nobres do teu verve esvoacem


Alto, no Azul, por entre os sóis e as galas,


Cantem sonoras e cantando passem


Dos Anjos brancos através das alas...




E canta o amor, o sol, o mar e as rosas,


E da mulher a graça diamantina


E das altas colheitas luminosas


A lua, Juno branca e peregrine.



Vibra toda essa luz que do ar transborda


Toda essa luz nos versos vai vibrando

E na harpa do teu Sonho, corda a corda,


Deixa que as Ilusões passem cantando.




Na alma do artista, alma que trina e arrulha


Que adora e anseia, que deseja e que ama


Gera-se muita vez uma fagulha

Que se transforma numa grande chama.




Faz estrofes assim! E após na chama


Do amor, de fecundá-las e acendê-las,


Derrama em cima lágrimas, derrama,


Como as eflorescências das Estrelas...



fonte:http://pt.wikisource.org/wiki/Arte_(I)

terça-feira, 21 de outubro de 2014

MANIFESTO CONTRA O PRINCÍPIO

MANIFESTO CONTRA O PRINCÍPIO




fonte: arquivo pessoal
[nesta forma natural: o que você vê?]




Princípio: inicio de tudo? Do Universo? Do Cosmos? Do tudo? Do todo? Do espaço? Do tempo? Da luz? Da cruz? Dessas letras? De mim e de você? Do bem, do bom, do mau, do mal! Sim! Princípio: tema inseparável das crenças? Da fé? Inúmeras? Variadas? Contraditórias? Combatentes? Militantes? Influentes? Uma pequena palavra tanta força: fé!
Mas, houve um princípio?
Será só um conceito como liberdade ou justiça? Felicidade? Arte... Vagos, limitados, nunca completos, abertos, mutantes...
Cada grupo humano, cada mentalidade conceitua e pensa-os de uma forma?
Cada tempo entende e reflete seu modo de entender? Você entende?
Princípio diz origem! Origem do Universo, do Cosmo, da Realidade! Princípio no sentido bíblico! Começo causa, absoluto e absoluta!
Tantas mentes em tantos tempos e lugares pensaram e pensam sobre... O Princípio...
Mas, é relevante compreender, refletir? Se não fosse relevante e necessário não haveria tantas questões, textos, estudos e pregações sobre o princípio de tudo...
Bem, penso que neste nosso tempo sem tempo: pós-modernidade de verdades explodidas!
Todo conceito deve, necessariamente, ser colocado diante dos canhões da crítica...
As respostas e perguntas são constantes, ambas são geradoras de filhas (novas perguntas e novas respostas).
Das tempestades de ideias buscamos a ordem e a lógica que nos leva a construção do conhecimento, nunca pronto, nunca acabado, metamorfose guiada pelo filosofar e pelo método científico... Se, for guiado (o conhecimento) pela crença, a construção para ou congela, vira dogma!
Penso também, que meu pensar, deve tender ou buscar o pensar livre... No que sei e no que não sei devo caminhar e ser sincero diante do continuo questionar!
Por exemplo:
Alguém (leitor ou leitora, físico, estudioso de qualquer área) pode me demonstrar e provar a existência de um NÃO ESPAÇO? E um NÃO TEMPO? De um NADA absoluto... Eu não sei como demonstrar e não sei como representar tais ideias! Desconheço que no Universo conhecido existam tais coisas citadas. Pelo menos é o que minha mente concebe, mas claro que isto não é uma verdade absoluta, nem um dogma do Oséias... É um limitadíssimo pensar!
Diante do que sei, por aprender com a Ciência: não observamos e estudamos todo o Universo! Somente uma pequena parte é observável, ou, temos como realizar investigações científicas... Sim estamos “mergulhados” no desconhecido! Há um “abismo” na realidade! Quanto mais nos distanciamos de nossa casa (a Terra) mais aprendemos sobre este “lugar” onde “tudo” está... Está mesmo?
Estas últimas linhas escritas são um breve exemplo de construção do pensar com base no que sei e no que não sei...
E não posso realizar este texto sem responder ao coro da Religião sobre o assunto, a resposta clássica: DEUS É O PRINCÍPIO DE TUDO!
Bem, Religião aqui falo da maior e mais fragmentada da História, o Cristianismo... Também, a segunda maior, o Islã.
Vamos pensar:
De acordo com o cristianismo (a religião ou sistema de crença que eu mais conheço por causa de minha cultura brasileira, leituras, estudos e vivências): Deus é onisciente, onipotente e onipresente! Logicamente, este Ser Todo Poderoso tem uma mente toda poderosa! Logo, tudo que existe, existiu e existirá, tudo que aconteceu e acontece e acontecerá sempre, sim, sempre esteve nesta mente e nunca foi diminuído, retirado, apagado, modificado. Deus sempre soube de tudo! Então, tudo (a realidade, o Cosmo, o Universo, os Universos, o Multiverso se quiserem, buracos de minhoca, outras dimensões(?)) nesta mente, em seu pensamento ou algo semelhante a isto, já existia, já estava concebido... Como não existe um momento ou ponto onde ELE não existia (é intrínseco a Deus a sua existência eterna) esta mente também, estes pensamentos, este saber sobre tudo, sobre todos, sobre as coisas, as causas, os sofrimentos, os crimes, nascimentos e mortes, absolutamente e completamente tudo, já existiam NELE...
O inferno pregado e ensinado pela maioria dos cristãos já estava na mente toda poderosa de Deus muito antes de qualquer ser maligno existir... Deus eternamente sempre soube do inferno e de cada ser que desgraçadamente teria de ir para lá! Não há surpresas num ser todo poderoso, não há plano “B”... Irar? ELE já sabia! Alguma coisa assustaria? Pois já sabia, sempre soube, sempre...
Muitos falam e questionam: “Deus não viu isto que aconteceu com esta pessoa, com este meu parente? Estes sofrimentos? Estes crimes? A fome? Deus não viu?” Resposta: além de ver, ELE, em tempos incontáveis, já sabia!!!
Então, e o princípio? Não há princípio! Se Deus sempre existiu não há princípio! ELE sempre existiu, e em “ideias divinas”, tudo já estava na sua mente... Se acreditarem que Deus é o princípio estão falando que este principio que é absoluto, sabe tudo, pode tudo e está em todo lugar, sempre existiu... Quase concluo que é um princípio que sempre existiu não sendo um princípio então! Mesmo sendo Deus que não vejo, se acredito NELE, tenho que admitir que sempre algo existiu, então não há princípio, há e sempre haverá algo, mesmo que seja Deus sozinho com sua mente que tudo sabe e onde esta tudo!
Outro ponto crítico é o texto onde as religiões judaicas cristãs islâmicas estão baseadas, e os primeiros capítulos do livro de Gênesis. Nas escrituras sagradas, o sol e a lua, só são criados no quarto dia, sendo que, sem sol e lua, não existem dias... Mas muitos dizem que não são dias (vinte e quatro horas), porém há no texto os dizeres, tarde e manhã do dia primeiro, segundo até o fim da criação e o descanso de Deus... Um ser todo poderoso cansa?
Agora virando o tabuleiro...
Ocorreu, num passado de bilhões de anos, que o Universo estava concentrado num ponto ínfimo... E uma imensurável expansão aconteceu e continua a acontecer... Bem, este não é o princípio! É, também, um “recorte” no tempo e na História do Cosmo! Este ponto concentrando (se é que podemos pensar assim) surgiu de onde? Haverá outros pontos como este em lugares onde não conseguimos chegar com nossos instrumentos e imaginação? Podemos provar que em volta deste ponto não havia nada? Mas, na natureza, nas leis da física e da realidade existe este nada? Nada de ondas, de sub partículas, de forças, de movimentos, de matérias, nada...
Dificílimo assunto?

Vou voltar ao princípio...   

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

"O carteiro é o poeta" de Valentim

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