domingo, 20 de abril de 2014

À ESPERA DOS BÁRBAROS de Konstantinos Kaváfis


Ficheiro:Cavafy1900.jpg

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Cavafy1900.jpg







À ESPERA DOS BÁRBAROS – Konstantinos Kaváfis





O que esperamos na agora reunidos?

É que os bárbaros chegam hoje.

Por que tanta apatia no senado?

Os senadores não legislam mais?

É que os bárbaros chegam hoje.

Que leis hão de fazer os senadores?

Os bárbaros que chegam as farão.

Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?

É que os bárbaros chegam hoje.

O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.

Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?

Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?

É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.

Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?

É que os bárbaros chegam hoje
e aborrecem arengas, eloquências.

Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)

Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?

Porque é já noite, os bárbaros não vêm
e gente recém-chegada das fronteiras
diz que não há mais bárbaros.

Sem bárbaros o que será de nós?


Ah! eles eram uma solução.


fonte: http://mscamp.wordpress.com/paginas-escritas/os-cem-melhores-poemas-internacionais-do-seculo-xx/

terça-feira, 15 de abril de 2014

Noé: não é!




https://upload.wikimedia.org/wikipedia/pt/4/41/Noah2014Poster.jpg




NOÉ: NÃO É!



É?
Ou...
Não é...
Noé? Não é?

Não é que é o Noé?
Famoso é!
Bíblico! É!
Épico e Etílico! Amaldiçoador de neto e filho?

É o Noé...
Não é?
A Arca...
Da fé?

Navegando...
Lotada de animais...
Vários?
Todos:

Grandes paquidermes!
Enormes felinos!
Raivosos caninos! Promíscuos primatas!
Cobras pequeninas e colossais! Tantos: desiguais...

Numerosos...
Insetos, aves, ornitorrincos?
Gorilas, crocodilos? Cangurus?
Famintos?

E muito, mas muito, mais...

É?
Ou...
Não é...
Noé? Não é?

Mas, espere...
Quantos afinal?
Quantas espécies?
Quantos animais?

O tamanho da Arca?
Bem, isto, a Bíblia relata!
Tipo de medida... Côvado!
Madeira, betume... Oito pessoas?

Espere!
Medida?
Então, foi depois da invenção da escrita?
Mas, qual escrita? Escrita e ponto...

Aproximadamente...
Seis mil anos... Atrás! Quatro mil antes de Cristo!
Sim, seis mil a invenção da escrita...
A Arca? Não se sabe, mas tem que ter sido depois, da escrita...

Mas, sim novamente, outro Mas...
Toda humanidade, em sua muitíssima variedade:
Pigmeus africanos, nórdicos europeus, chineses, indianos... Todos os humanos...
São descendentes do grupo que entrou na Arca? Seis mil anos ou menos atrás?

Outro Mas:
Todas as espécies animais existentes são de origem do monte onde a Arca atracou?
Deste aquele ponto onde a Arca ficou todos os animais se espalharam pelo mundo?
Outro Mas: os oceanos?

Mas, sim outro Mas ainda:
Como chegaram na Arca os que precisavam atravessar oceanos?
Isolados, dependentes de seus ambientes?
Espere esqueci: milagre...

Claro: milagre!
Milagres!
Para cada um Mas, um milagre...
Para cada argumento apontando a história fora do real, um milagre...

Seria bom...
Ser construída ou por virtual simulação...
Uma Arca do tamanho da original...
Barcaça colossal...

E, colocar o número de animais correspondentes...
Ou, calcular somente...
Na Floresta Amazônica já há um terço da vida é só pegar de dois em dois e colocar na Arca!

Depois dos quase invisíveis aos gigantes da África!
Os dos desertos e das regiões geladas do mundo!
Das montanhas e dos penhascos! Campos, árvores, pântanos... De todos os continentes...
Todos que existem... E colocá-los, encaixá-los: eis a prova deste imensurável milagre.

Mas, espere, ainda há Mas...
Matar todos os animais, ta quase todos, por causa das ações pecaminosas humanas?
Matar as antas? Os bichos preguiças? Os lêmures?
Esqueci: Deus é bom, é amor, faz o que quiser!

Outro Mas:
Matar todas as crianças do mundo afogadas... Sim, as crianças foram todas, só adultos entraram na Arca!
Soterradas, corpos, incontáveis, o número só Ele sabe, apodrecendo na água...
Todos os recém nascidos...

As grávidas!
Os idosos, os anciãos?
Matar gente que vivia com pouquíssimas invenções?
Sem condições... Fome, frio, democracia nem em sonho... Ou, só em sonho...

Seis milênios atrás?
O que havia no mundo do ser humano?
Nada de vacinas, eletricidade, motores, aviões...
Mundo obscuro, fome e desnutrição...

Uns em vilas, outros em cidades!
Pequenas cidades...
Muitos vagando pelo mundo buscando sustento...
Crianças nascendo, crianças morrendo...

Era só falar com todos assim como falou com Noé!
Deus pode! É! Poderia ter feito...
Tudo Ele poderia ter feito, mas escolheu o Dilúvio, a morte, o extermínio...
Daqueles que eram maus e dos que nem poderiam ser maus...

Mas...
Chega de Mas...
Pensei em Mas de mais...
Mas, esperem, a água?

“Todo monte da Terra foi coberto”
Bem, o Everest, quase nove quilômetros...
A profundidade média dos oceanos...
Calotas polares...

Não sei, sobrou água, choveu água de dois planetas?
Claro: Deus fabrica água pronto!
Toda superfície do planeta deveria ser igual, homogênea, secou tudo junto...
Camadas da Crosta da Terra? Placas Tectônicas? Mas isso geraria mais e mais Mas...

Chega! Mas... 
Afoguei minha pequena fé!
Isso que acontece se pensar verdadeiramente e logicamente sobre o texto de Noé! 
Não é?


[Este texto foi inspirado em parte pelos protestos e críticas do filme novo produzido sobre o relato de Noé que está contido no início da Bíblia... Também, por causa de dúvidas que surgiram lá na infância e adolescência sobre o ato de matar a humanidade (sabendo-se que Deus, em todo seu poder, onisciência, poderia ter feito mil formas diferentes para mudarem seus atos. Os animais, que nem podem ser colocados como agentes morais, também, foram mortos nem sabendo o que acontecerá... É complicado, exaustivo, difícil passar por esta situação de colocar o dogma, o religioso, a fé, a verdade tida como absoluta sob a racionalidade. Um caminho difícil mesmo... Muito mas muito mais fácil é não pensar, falar amém e pronto, fiz isso durante um tempo de minha vida, porém, ao ler, refletir, perquirir, construir ou buscar construir um saber variado, eclético, a religião desmorona como um gigante castelo de argila frágil! Oseias Faustino Valentim]

P.S.

E, se ao realizarem o exercício de criticarem o filme - e devem ser livres para criticarem tudo mesmo - realizar assim a crítica ao texto? Ou, o texto é incriticável? 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Uma carta para você: texto publicado no jornal O Regional Sul - 10/04/2014

O Regional Sul





Uma carta para você:

Qual a idade do leitor ou da leitora? Em qual idade você se sente viver ou estar? Qual fase da vida? Qual a melhor fase? Parece que: a cada ano que passa as perguntas se multiplicam... Sim, somos assim, seres perguntadores! Mas, estudando a humanidade, sua História, suas épocas e modos de vida, descobrimos que há aproximadamente um século, sim logo ali, nesta caminhada humana no planeta. Quarenta anos, era a expectativa de vida em países ricos... Sim, isto mesmo, quarenta... Porém, com: antibióticos e exames (cada vez mais tecnológicos). Anestesias, vacinas, conhecimentos e inúmeros avanços da Medicina...
Temos países hoje, como no Japão, que a expectativa de vida chega aos oitenta. Dobramos a vida em pouco mais de um século... Porém, há lugares ainda, que estão longe disso... Sem acesso aos avanços e conquistas da Ciência vivem sofrendo, morrendo por diarréia, desnutrição... No Brasil, quem chega aos quarenta, chega (só para fins estatísticos) na dita: metade da vida... Eu sou um brasileiro que estou chegando... Para esta “chegada” eis uma inspiração:



É... E AGORA? QUASE QUARENTA!


Quarenta anos...
Metade da vida se foi?
Foi? Ou, não foi?
Irá? Será? Chegarei lá?

É...
E agora?
Quase quarenta!
Hora de pensar e refletir?

Sim! Um dia todos nós iremos partir!

Um ditado conhecido proclama:
Todo homem deve...
Escrever um livro!
Plantar uma árvore!
Ter um filho...

Bem, neste tempo em que vivemos...
Onde tudo é e deve ser criticado!
Critico o dito deste ditado!
“Não basta!...” Eu digo!

Nunca basta então?
Nada basta?
Basta!
É necessário um basta?

Respondo minha própria interrogação:

O basta, virá!
Chegará! Um dia...
No dobro de quarenta? No triplo? Talvez...
O basta, em um momento, chegará... Eu sei!

Na verdade...
Até mesmo, num momento próximo!
Este basta que chegará...
Pode chegar!

Enquanto, não chega, continuo meu caminhar...
E, como falou meu irmão: “o importante é ser saudável!”.
Digo mais:
É necessário, o ser humano, esta máquina de pensar, ser, também, uma máquina de amar...

Assim, procuro seguir seguindo o que um filósofo escreveu:
O conhecimento e o amor, sim, esses dois juntos!
Para guiar o ser humano...
Não só nos quarenta, mas antes e depois desta dita quase metade da vida!


Oseias Faustino Valentim

Acesse: http://www.poesiafaclube.com/store/o-carteiro-e-o-poeta-de-valentim